Guardas Municipais: a farsa da Paraíba e o risco de Juazeiro do Norte repetir o mesmo erro.

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Sousa,03/02/2026

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Guardas Municipais: a farsa da Paraíba e o risco de Juazeiro do Norte repetir o mesmo erro.

Segurança urbana não se constrói com cabide de emprego nem com farda de fantasia.


Guardas Municipais: a farsa da Paraíba e o risco de Juazeiro do Norte repetir o mesmo erro.



O que o Ministério Público da Paraíba revelou sobre as Guardas Municipais do estado é estarrecedor — e deveria causar vergonha coletiva. Um levantamento apontou irregularidades em pelo menos 89 municípios. Em vez de corporações sérias, estruturadas e legais, o que se encontrou foram guardas de faz-de-conta: vigilantes mal pagos, sem concurso, sem treinamento, sem controle interno e, em alguns casos, até ostentando o título inconstitucional de “Polícia Municipal”.


Não é exagero dizer que muitas dessas guardas não passam de fantasias institucionais. Criadas para dar a impressão de segurança, funcionam como cabide de emprego ou palanque político. Em Sousa, a farsa chegou ao extremo: mais de 100 vigilantes comandados por apenas dois cargos comissionados, sem sede, sem corregedoria, sem ouvidoria, sem nada. O MP foi cirúrgico ao recomendar a suspensão imediata das atividades.


Mas não nos enganemos: o problema não é só de Sousa. O problema é de quase toda a Paraíba. O relatório expõe um padrão: guardas criadas no improviso, descumprindo a Lei Federal nº 13.022/2014, sem estrutura mínima, sem legalidade e sem qualquer planejamento. Uma espécie de “teatro da segurança”, onde se veste uniforme e se vende à população a ilusão de proteção.


E o que fazem muitos prefeitos? Correm para justificar, prometem leis às pressas, sedes de última hora, treinamentos improvisados. Mas todos sabemos: segurança não se constrói com pressa nem com propaganda, e sim com base sólida — legal, estrutural e humana.


O recado para Juazeiro do Norte


Enquanto a Paraíba amarga essa vergonha, Juazeiro do Norte, no Ceará, acaba de criar sua Guarda Municipal. Eis o alerta: ou aprende com o desastre vizinho, ou repetirá o mesmo roteiro.


Criar uma guarda não é distribuir fardas e posar para fotos. É realizar concurso público, treinar agentes com rigor, implantar corregedoria e ouvidoria, respeitar os limites constitucionais. A guarda não é polícia, não é judiciária, não é aparato de vaidade política. É um órgão de segurança urbana, ponto.


Se Juazeiro quiser ter uma guarda de verdade, precisa evitar o atalho do populismo e do improviso que levou 89 cidades da Paraíba ao ridículo. Caso contrário, logo veremos manchetes semelhantes: guardas paralisadas, corporações desmoralizadas, e a população — sempre ela — desprotegida.


Sousa é o exemplo mais gritante, mas não está sozinha. São 89 cidades presas na mesma armadilha. Resta a Juazeiro do Norte decidir: vai aprender com os erros dos outros ou prefere repeti-los?


Esdras Trajano Leal

Sousa, 29/08/2025.







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