Cícero Lucena desafia a base e embaralha o jogo: 2026 começa antes da hora na Paraíba

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Sousa,03/02/2026

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Cícero Lucena desafia a base e embaralha o jogo: 2026 começa antes da hora na Paraíba

Entre provocações, pesquisas e caciques, a sucessão de João Azevêdo expõe rachas internos e fragilidade da “candidatura natural” de Lucas Ribeiro


Cícero Lucena desafia a base e embaralha o jogo: 2026 começa antes da hora na Paraíba



O cenário político da Paraíba para 2026 entrou oficialmente no terreno da instabilidade. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), decidiu tensionar as cordas e assumir publicamente o papel de contraponto dentro da base governista. Ao rebater críticas do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), Cícero não apenas devolveu a acusação de incoerência, como expôs o que todos nos bastidores já sabiam: o bloco que governa a Paraíba não fala mais a uma só voz.


As declarações do prefeito — de que aliados de Lucas já estariam conversando com a oposição — funcionam como um recado direto e indireto ao mesmo tempo: direto ao jovem vice governador, que insiste em sustentar-se como “candidato natural” à sucessão de João Azevêdo; e indireto ao próprio governador, que dá sinais de priorizar sua possível candidatura ao Senado em 2026, sem arbitrar de forma firme o processo sucessório.


A cena se torna ainda mais simbólica quando se observa que Cícero, hoje, lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado. Ao cobrar coerência no uso desses levantamentos — lembrando que João Azevêdo só cogita o Senado por estar bem posicionado — o prefeito expõe uma contradição interna que a base não consegue esconder: se a pesquisa vale para um, por que não vale para outro?


A disputa de narrativas


Lucas Ribeiro tenta se firmar pela lógica da continuidade. Seu discurso é o da unidade, de que a base deve marchar sob a liderança de João Azevêdo, mesmo após 2026. Mas sua dificuldade é nítida: não possui musculatura própria nem densidade eleitoral testada. Depende do aval do governador e do poder de articulação do tio, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP).


Cícero, por outro lado, aposta no pragmatismo da rua. Reforça a ideia de que sua candidatura é um movimento “estimulado pelo povo” de João Pessoa e tenta se credenciar como o nome mais competitivo da base. Ao assumir esse discurso, aproxima-se do eleitorado e coloca seus adversários internos na defensiva, obrigando-os a justificar porque o critério da “opinião pública” não deveria valer.


O constrangimento de João Azevêdo


Se há alguém em posição delicada nesse tabuleiro, é o governador. A ausência de João em reuniões cruciais sobre a sucessão — como o encontro de caciques em Brasília — soa como omissão e fragiliza sua autoridade. Mais que isso, abre espaço para que figuras como Cícero e Adriano Galdino (Republicanos) desafiem abertamente a tese da candidatura natural de Lucas.


A cena é ainda mais desconfortável: como aceitar um encontro para discutir o futuro da base sem a presença do governador em exercício e sem o suposto herdeiro político? A fotografia do encontro reforça a percepção de que João não comanda de fato a própria sucessão — e que Lucas, se mantiver a condição de candidato, poderá ser um nome tutelado.


A oposição como fator de pressão


Enquanto a base governista se digladia, a oposição observa atenta. A narrativa de que “todo mundo conversa com todo mundo” lançada por Cícero não é apenas uma provocação: é um aviso de que pontes podem ser construídas fora da órbita governista. Isso coloca pressão adicional sobre João e Lucas, pois sinaliza que o prefeito da capital, peça-chave em qualquer disputa estadual, pode flertar com outros arranjos se não for contemplado.


Conclusão: um xadrez ainda em aberto


A disputa pela sucessão de 2026 na Paraíba deixou de ser subterrânea para ganhar contornos públicos e diretos. Cícero Lucena se mostra disposto a enfrentar o rótulo de dissidente e a testar sua força nas pesquisas. Lucas Ribeiro insiste em ser o nome da continuidade, mas ainda precisa provar que consegue caminhar sem as muletas do tio e do governador.


Já João Azevêdo, que deveria arbitrar o processo, parece mais preocupado com seu destino pessoal — o Senado — do que em garantir a unidade do grupo. Esse vácuo de liderança, somado à disputa de narrativas e ao flerte com a oposição, deixa claro que a Paraíba caminha para uma sucessão marcada não pelo consenso, mas pela fragmentação.


E, em política, fragmentação costuma ser o primeiro passo para mudança de rumos.


Esdras Trajano Leal 

Sousa, 29/08/2025.







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