Paraíba refém da política hereditária

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Sousa,03/02/2026

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Paraíba refém da política hereditária

Quando sobrenomes valem mais que ideias, a democracia perde oxigênio e a sociedade deixa de evoluir


Paraíba refém da política hereditária





Por Esdras Trajano Leal


À medida que as eleições de 2026 se aproximam, a política paraibana volta a ser tomada por um enredo repetitivo: os mesmos sobrenomes ocupando os mesmos espaços, em disputas que mais parecem sucessões familiares do que embates democráticos de ideias. Lucena, Ribeiro, Motta/Wanderley, Morais, Santiago, Cunha Lima, ..  etc — nomes que se perpetuam de geração em geração, como se a democracia fosse um bem de família.


Essa hereditariedade política sufoca o debate público e impede a oxigenação da vida democrática. Ao invés de surgirem novos líderes, jovens preparados, intelectuais comprometidos e representantes de movimentos sociais, vemos sempre os mesmos atores no palco, apenas trocando de cadeira.


Não se trata apenas de uma questão estética, mas de atraso real. Estados que permaneceram sob o jugo de oligarquias familiares tiveram sua evolução política e social comprometida. O Maranhão dos Sarney e Alagoas dos Calheiros são exemplos nacionais de como a política patrimonialista encolhe horizontes e aprisiona o futuro. No México, décadas de domínio do PRI sufocaram a democracia; na Argentina, a volta cíclica das mesmas famílias políticas mergulhou o país em crises institucionais recorrentes.


Na Paraíba, o efeito é claro: a pauta do futuro — inovação, sustentabilidade, emprego, inclusão digital, educação de qualidade — é engolida por arranjos familiares e cálculos eleitorais. As disputas não giram em torno de projetos para o estado, mas da manutenção de heranças.


O que precisa mudar


A política paraibana não pode seguir sendo um feudo de poucas famílias. É preciso abrir espaço para novas vozes, ideias e lideranças. Isso passa por três caminhos:


1. Reforma eleitoral e representatividade real – Limitar a reeleição, dar transparência ao financiamento público e incentivar candidaturas de jovens, mulheres e lideranças comunitárias é essencial para quebrar o ciclo da hereditariedade.



2. Movimentos independentes e coletivos cívicos – Experiências em outros estados mostraram que candidaturas coletivas e articulações fora do sistema tradicional podem furar o bloqueio das elites e ampliar o debate democrático.



3. Educação política e protagonismo da juventude –  A verdadeira transformação virá quando a sociedade entender que política não é monopólio de sobrenomes. A juventude, se chamada ao debate e estimulada a participar, pode ser o motor dessa renovação.


O desafio da sociedade


Não haverá concessão das elites políticas. A mudança precisa nascer da pressão popular, do voto consciente e da mobilização de cidadãos que se recusam a aceitar que o futuro da Paraíba seja sempre decidido pelos mesmos sobrenomes.


A democracia se fortalece com diversidade, ideias novas e coragem para ousar. Enquanto prevalecer a lógica da política hereditária, a Paraíba seguirá olhando para trás. Mas se abrir espaço para novos portadores de ideias, poderá enfim transformar seu presente e construir um futuro que não seja a repetição cansativa de um passado reciclado.


Esdras Trajano Leal 

Sousa, 29/08/2025.






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