
A história da cidadania, da Grécia até os dias atuais, revela uma verdade imutável: a democracia só floresce quando há cidadãos conscientes, lúcidos e comprometidos com o bem comum. De Sócrates a Hannah Arendt, o recado é claro — não basta votar, é preciso refletir, questionar, cobrar e participar.
No Brasil, onde o voto é obrigatório, corre-se o risco de transformá-lo em um ato automático, um ritual sem alma. Mas o eleitorado tem em mãos uma arma poderosa: a consciência. Cada voto é mais que um número; é uma semente de futuro, um pacto de responsabilidade com a história.
A democracia brasileira é jovem e, como toda jovem, carrega fragilidades. Já conheceu ditaduras, já sofreu golpes, já se reinventou. Hoje, diante da polarização e da manipulação da informação, exige de cada eleitor coragem para pensar além das paixões imediatas e das promessas fáceis.
O filósofo Immanuel Kant diria que ser livre é “sair da menoridade e pensar por si mesmo”. Esse é o desafio que se impõe ao eleitor brasileiro: não delegar sua consciência a slogans, a fake news ou ao ódio, mas fazer do voto um ato de autonomia moral.
O futuro da democracia não está apenas nas mãos dos políticos — está sobretudo na lucidez dos cidadãos. E, como lembrava Sócrates, uma vida sem reflexão não merece ser vivida. Do mesmo modo, uma democracia sem reflexão não merece ser exercida.
As próximas eleições são mais que uma disputa entre partidos: são um teste da maturidade cívica do Brasil. O chamado é urgente: votar não é obrigação burocrática, é compromisso ético com o destino coletivo. O que cada cidadão decidir na urna será, ao mesmo tempo, reflexo de sua consciência e herança para as próximas gerações.
Assim, que cada brasileiro, ao aproximar-se da urna, recorde o peso histórico de seu gesto: não é apenas um voto; é um ato de liberdade, de cidadania e de esperança.
Esdras Trajano Leal
Sousa, 01/09/2026.







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