Editorial — Por Esdras Trajano Leal - Nos Bastidores do Poder: Áudios Revelam Estratégias de Bolsonaro Após Deixar o Planalto
Celular apreendido pela PF em 2023 traz conversas com filho e aliados sobre CPI contra Moraes, articulação contra PL das fake news e apoio do agronegócio.

A divulgação dos áudios encontrados no celular de Jair Bolsonaro, apreendido pela Polícia Federal em 2023, adiciona novas camadas ao enredo político brasileiro pós-governo. O material, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, expõe diálogos diretos do ex-presidente com parlamentares e aliados próximos, revelando estratégias traçadas mesmo após o término de seu mandato.
Em uma das gravações, Bolsonaro orienta o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) a assinar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do Supremo Tribunal Federal. Em outra conversa, o ex-presidente direciona seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a articular nos bastidores a derrota do Projeto de Lei das Fake News — tema sensível que divide o Congresso e mobiliza parte expressiva da opinião pública.
Os áudios também revelam preocupações sobre o desgaste da imagem do bolsonarismo junto ao agronegócio, setor que foi um dos pilares de sustentação política do ex-presidente. Há ainda conversas com um ex-embaixador de Israel, que sugerem a permanência de relações e articulações internacionais mesmo fora do governo.
Esses registros revelam que, mesmo fora do Planalto, Bolsonaro continuou exercendo influência sobre parte significativa do Legislativo, tentando moldar a agenda política conforme seus interesses. A revelação desses áudios coloca em xeque não apenas a conduta de um ex-presidente, mas também o grau de interferência sobre decisões parlamentares e judiciais — pontos cruciais para uma democracia que se pretende sólida.
A divulgação desses diálogos exige investigação isenta e aprofundada por parte das instituições brasileiras. O país não pode se tornar refém de bastidores obscuros, onde decisões que afetam milhões são tomadas por poucos, em conversas privadas que escapam à luz da legalidade e do interesse público.
O povo tem o direito de saber — e a democracia, o dever de se proteger.
Esdras Trajano Leal
Edy Fé - A NOTÍCIA COMO ELA É.
Sousa,28/07/2025.







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